Antes de usar

ATENÇÃO: Escalada é um esporte intrinsecamente perigoso que requer instrução e equipamentos adequados. Quem escala está sujeito a acidentes, inclusive acidentes fatais. Leia todo o conteúdo desta página antes de usar o guia.

Sobre um guia online

Ao longo dos anos a publicação de um guia de escaladas da Grande Florianópolis na forma de um livro impresso acabou se mostrando uma barreira para que a informação hoje neste website chegasse à comunidade escaladora. A publicação de um livro impresso exige um critério de parada para se decidir quando parar de adicionar novo conteúdo, o que se mostrou uma escolha difícil. Além disso, todo o processo editorial, incluindo a distribuição, gera custos que nem sempre serão compensados com a venda para uma comunidade tão pequena como a nossa.

Com o dinamismo das áreas de escalada os guias acabam ficando rapidamente obsoletos e incompletos, ao passo que é inviável publicar novas edições com a frequência desejada. Por outro lado, esse dinamismo casa perfeitamente com as facilidades oferecidas pela internet e a pervasividade das redes de comunicação, computadores pessoais e dispositivos móveis. Assim, optou-se por publicar esse guia online e tirar proveito dessas facilidades. Com isso, o guia será atualizado constantemente ou, pelo menos, sempre que possível ou necessário. Muito embora isso não impeça que no futuro opte-se por publicar também uma versão impressa, desde já as páginas do guia contam, ao final, com um botão de download do conteúdo em formato PDF. Isto implica que aquele que desejar, poderá imprimir só a seção ou seções de interesse ao invés de carregar um livro inteiro na mochila. Ou melhor, poderá levar o(s) PDF(s) ou acessar o guia diretamente em seu dispositivo móvel, se o tiver, e sempre com a versão mais atualizada.

Sobre o conteúdo deste guia

Este website é um Guia de escaladas da Grande Florianópolis, que concentra informações de várias áreas de escalada da região. Assim, não é um website sobre segurança na escalada e não contém informações a respeito de segurança na escalada ou sobre segurança nas áreas de escalada. A escalada é um esporte intrinsicamente perigoso e ninguém deve depender exclusivamente das informações constantes neste guia para garantir a sua segurança. De fato, a despeito dos esforços para que as informações neste guia sejam as melhores possíveis, elas podem estar incompletas, desatualizadas, ou simplesmente erradas. Portanto, servem apenas como indicação e não dispensam o escalador de seu julgamento baseado em instrução competente, experiência na atividade, conhecimento de suas limitações e habilidades, ou até mesmo da presença de um guia profissional na hora de praticar a escalada.

As descrições e comentários neste guia são subjetivas e expressam a experiência e interpretação dos autores e seus colaboradores. Devem assim ser entendidas e interpretadas, e não tomadas como definitivas. Muitas das informações foram coletadas ao longo de gerações e carregam as incertezas do tempo e das limitações da memória e fantasias da mente humana. Os autores e seus colaboradores não podem ser responsabilizados pelas consequências do uso das informações neste guia.

O leitor que identificar qualquer informação inadequada, desatualizada ou errada neste guia, pode e deve entrar em contato com os autores pelo e-mail retesa@climbingfloripa.com.br.

Sobre sua segurança na escalada

Foto: Acervo pessoal de Marius Bagnati.

A interpretação inadequada do conteúdo deste guia ou seu uso sem as precauções resultantes das melhores práticas de segurança na escalada pode causar acidentes e até a morte. O uso do conteúdo deste guia implica que o usuário assume os riscos associados à prática de escalada, como o risco de acidentar-se, ferir-se gravemente, ou de morrer. Não existe substituto para a instrução adquirida por meio de um instrutor qualificado e certamente este não é o papel de um guia de escalada como este. Instrutores de escalada podem ser encontrados por meio de clubes, associações ou escolas de escalada. Procure as instituições da sua região.

O escalador e seus parceiros são os responsáveis por sua segurança e devem ser responsáveis por suas ações. Adapte seus objetivos à sua capacidade e de seus parceiros e seus equipamentos. Sua segurança depende exclusivamente de seu julgamento e de seus parceiros baseado em instrução competente, experiência na atividade, conhecimento de suas limitações e habilidades.

Os setores podem estar expostos ao sol, use protetor solar. Não há garantia de fontes de água nas áreas de escalada. Leve água. Alimente-se.

  • Escalada é uma atividade perigosa que requer o uso de técnicas e equipamentos específicos.
  • Escalada envolve riscos para seus praticantes.
  • Áreas de escalada e seus setores estão sujeitos a diversos riscos, como:
    • animais peçonhentos;
    • queda de pedras e vegetação;
    • mudanças abruptas das condições metereológicas;
    • escuridão.
  • Equipe-se adequadamete, mantenha-se informado sobre as condições meteorológicas e pôr do sol.
  • Teste as agarras.
  • Diversas vias são equipadas com proteções fixas; fica a cargo do escalador avaliar sua segurança.
  • Diversas vias requerem proteções móveis; fica a cargo do escalador procurar treinamento adequado para seu uso.
  • Sempre use o capacete e demais equipamentos de segurança.

Sobre o acesso às áreas de escalada

Foto: Acervo pessoal de Marius Bagnati

A inclusão das áreas de escalada neste guia não dá a ninguém o direito de acesso a elas. A princípio, todas as áreas de escalada descritas neste guia podem ser acessadas e escaladas livremente, exceto a Pedreira de Itaguaçu que exige a carteira de associado à ACEM ou uma autorização prévia: veja aqui as regras e motivos para isso. Todavia, as regras em qualquer uma das áreas de escalada podem mudar sem aviso prévio. É responsabilidade de cada escalador informar-se antes de acessar cada uma das áreas de escalada e seus setores e consultar os proprietários em áreas privadas. Sempre respeite as áreas privadas e públicas, em particular as áreas de estacionamento, áreas de plantio ou criação de animais, acessos fechados, e áreas de camping. Mantenha-se nas trilhas. Respeite a comunidade local. O respeito é a principal ferramenta para garantirmos o acesso às áreas de escalada.

Sobre as definições neste guia

Além do conteúdo complementar com informações gerais sobre a região, o conteúdo deste guia está dividido em áreas de escalada que por sua vez estão divididas em setores. As áreas de escalada tipicamente identificam uma área em que as escaladas ali contidas podem ser isoladas das demais áreas por terem características únicas, não exigirem deslocamento excessivo entre seus setores ou serem tradicionalmente tratadas como unidade. Por conveniência algumas áreas de escalada foram divididas em setores, o que facilita sua descrição, desenho dos croquis e identificação das vias.

Cada área de escalada está contida em uma única página que possui um resumo sobre ela, um breve histórico, uma descrição geral, instruções sobre como chegar e detalhamento de seus setores. No início de cada página consta a data da última atualização sobre a área de escalada para referência.

Sobre os croquis

A maior parte dos croquis neste guia foram preparados com base em fotografias. Normalmente as fotos são tiradas de pontos baixos e nem sempre dos melhores ângulos. Isto implica que o croqui acaba por refletir aquilo que se vê a partir da foto. Assim, as distâncias e linhas da via podem estar distorcidas em relação àquilo que o escalador experimentará durante a escalada. Isto é mais evidente para enfiadas e grampos mais próximos ao topo da parede que acabam parecendo mais curtas e com grampos mais próximos no croqui do que na realidade. Leve isso em consideração ao escolher uma via e tome com referência também a graduação dada (dificuldade e exposição).

Sobre a graduação de vias

A graduação das vias neste guia segue o Sistema Brasileiro de Graduação de Vias de Escalada definido pela Confederação Brasileira de Escalada e Montanhismo (CBME) resumido a seguir. Para escalada em blocos (boulders), o sistema de graduação Norte Americano, “V”, poderá ser usado.

O grau de dificuldade de uma via de escalada deve ser atribuído para a escalada “à vista” em que o escalador não possui conhecimento prévio sobre a via. É dividido nas seguintes partes:

  • Grau geral da via: expressa a dificuldade geral da via e é de uso obrigatório, exceto para vias curtas que geralmente têm a dificudalde expressa pelo crux (lance mais difícil). Representado por número ordinais arábicos (1º, 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, …) sem subdivisões.
  • Grau do crux (lance mais difícil) da via: expressa a dificuldade do lance ou sequência mais difícil da via e também é de uso obrigatório. Representado por números romanos (I, II, III, IV, V, VI, …) seguido ou não de ‘sup’ até VIsup e subdivisões ‘a’, ‘b’, e ‘c’ a partir de VIIa (…, V, Vsup, VI, VIsup, VIIa, VIIb, VIIc, VIIIa, …).
    • Nos casos em que o crux possa ser passado em artificial, a graduação em artificial segue, entre parênteses a graduação do crux.
  • Graduação em artificial: expressa a dificuldade quando são usados meios não naturais para a ascenção. É de uso opcional, isto é, apenas se houver trechos a serem escalados em artificial. Representado pela letra ‘A’ seguida de um número arábico de 0 a 5 com ou sem a subdivisão ‘+’ (A0, A1, A2, A2+, …, A5, A5+):
    • A0: Pontos de apoio sólidos (“à prova de bomba”) isolados ou em uma curta sequência, com pouca exposição;
    • A1: Peças fixas ou colocações sólidas de material móvel, todas elas fáceis e seguras, em uma sequência razoavelmente longa;
    • A2: Colocação geralmente sólida das proteções móveis, porém mais difíceis. Algumas colocações podem não ser sólidas, mas estarão logo acima de uma boa peça. Não há quedas perigosas;
    • A3: Artificial difícil. Possui várias colocações frágeis em sequência, com poucas proteções sólidas. O potencial de queda é de até 15 metros, mas geralmente não causa acidentes graves;
    • A4: Escaladas muito perigosas. Quedas potenciais de 18 a 30 metros, com perigo de se atingir platôs ou lacas de pedra. Peças que agüentam somente o peso do corpo;
    • A5: Este é o extremo, sob o ponto de vista técnico e psicológico. Nenhuma das peças colocadas em toda a enfiada é capaz de segurar mais do que o peso do corpo.
  • Graduação pela duração: expressa a duração da escalada da via repetida à vista por uma cordada “normal” considerando apenas o tempo de ascenção. É de uso opcional. Representado pela letra ‘D’ seguida de um número arábico de 1 a 7 (D1, D2, …, D6, D7):
    • D1: Poucas horas de escalada;
    • D2: Meio dia de escalada;
    • D3: Um dia quase inteiro de escalada;
    • D4: Um longo dia de escalada;
    • D5: Requer uma noite na parede;
    • D6: Dois dias inteiros ou mais de escalada;
    • D7: Expedições a locais de acesso remoto com longa aproximação e muitos dias de escalada.
  • Graduação pela exposição: expressa o grau de compromentimento psicológico da escalada em livre. É de uso opcional. Representado pela letra ‘E’ seguida de um número arábico de 1 a 5 (E1, E2, …, E5):
    • E1: Vias bem protegidas
    • E2: Vias com proteção regular
    • E3: Proteção regular com trechos perigosos
    • E4: Vias perigosas (em caso de queda)
    • E5: Vias muito perigosas (em caso de queda)
  • Sequência: a graduação deve ser escrita na seguinte sequência com um espaço em branco entre cada graduação: 1) Graduação pela duração; 2) Graduação Geral; 3) Graduação do crux; 4) Graduação em artificial; 5) Graduação pela exposição.
  • Exemplos:
    • Leviatã (Morro da Cruz): VIsup
    • Acorda Narigão (Ponta dos Ingleses – Oeste): D1 6º VIIa (A0) E1

Sobre as condições das vias de escalada

Foto: Acervo pessoal de Marius Bagnati

É impossível manter dados atualizados sobre as condições de cada uma das vias de escalada da Grande Florianópolis neste guia, até mesmo pela brevidade com que algumas delas se mantêm. Mais uma vez a avaliação das condições da via dependerá do julgamento do escalador. Porém, o escalador que identificar qualquer impedimento para a escalada de uma via, como proteções em mal estado, presença de animais como abelhas e marimbondos, pedras soltas, etc. poderá comunicar os autores pelo e-mail retesa@climbingfloripa.com.br e postar na página do guia no Facebook.

Sobre novas vias

Antes de abrir novas vias, consulte os autores de vias na mesma área de escalada, os escaladores locais e as associações de escalada, clubes e escolas de escalada da região.

Recomendações

Foto: Acervo pessoal de Marius Bagnati
  • Sempre confira os nós, ancoragens, aparelhos de segurança, rapel, fivela da cadeirinha e se está com todos equipamentos necessários
  • Esteja atento para as condições do rapel, caso seja forçado a descer de uma via
  • Em caso de dúvida sobre o comprimento do rapel, faça nós nas pontas da corda, ou melhor, sempre faça nós nas pontas das cordas
  • Use capacete
  • Inspecione seu equipamento e troque quando apresentar sinais de desgate
  • Confira se há alguém fazendo a sua segurança
  • A gravidade nunca dorme
  • Leia todas a instruções dos fabricantes e os avisos, eles podem salvar sua vida
  • Equipamento fixo é duvidoso pense numa segurança extra
  • Mantenha-se em trilhas já estabelecidas, criar novos atalhos causa erosão desnecessária
  • Não caminhe sobre a vegetação
  • Respeite a ética local
  • Não deixe pertences no seu carro
  • Minimize o seu impacto
  • Não deixe lixo nas áreas de escalada, leve embora inclusive o lixo deixado por outros
  • Necessidades pessoais devem preferencialmente ser levadas embora ou, na pior das hipóteses, enterradas adequadamente, longe das paredes de escalada, fontes de água e trilhas
  • Não colete plantas ou capture animais
  • Não leve animais domésticos
  • Não fume
  • Não faça barulho excessivo
  • Escale muito
  • Divirta-se sempre

Telefones de emergência

Unidades de pronto atendimento e hospitais